O poder de um gesto

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Você só entende o real significado de liberdade quando algo tão simples e natural pra maioria das pessoas se torna um problema pra você.

Quem aqui nunca sofreu uma espécie de vergonha/receio/medo/insegurança por estar simplesmente segurando, em público, a mão da pessoa que você ama? Ou simplesmente da pessoa por quem você está envolvido?

Um gesto tão bonito de carinho e cumplicidade se transforma em um atestado de ilegalidade, é como uma comprovação de que você está fazendo algo muito errado. Na primeira suspeita de que alguém se aproxima, as mãos se soltam, assim como um bandido joga fora a arma do crime. O amor sendo marginalizado mais uma vez.

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No cinema, a gente torce pra que não tenha ninguém ao lado, na rua nos contentamos em encostadas leves de uma mão na outra, nos bares e restaurante nos arriscamos em encostar os pés sem que ninguém veja, e assim nos escondemos, escondemos o amor, pois achamos que o nosso amor não é digno. Fomos treinados pra acreditar nisso. Quem inventou essa idiotice?

Amor é amor, carinho é carinho, o que é bom não pode ser limitado, pelo contrário, as coisas boas precisam ser abundantes, pra que aos poucos seja muito maior do que as coisas ruins, a ponto de torná-las imperceptíveis. O ódio precisa ser marginalizado, não o amor, a agressão precisa se esconder, não as demonstrações de carinho.

Essa na verdade é só mais uma herança que o machismo deixa pra nossa vida. Nossa sociedade diminui o homem que demostra sentimento, e não estou falando de sentimento amoroso homossexual, estou falando de maneira genérica mesmo. Quantos filhos não abraçam nem beijam o pai simplesmente pelo fato de ser um homem. Acredite, eu mesmo vivi uma vida com vergonha de dar um beijo no rosto do meu pai; de alguma forma eu absorvi que isso era apenas uma ação designada às filhas, elas que são eram criadas como bonecas de porcelana que precisavam de proteção, enquanto os filhos deviam criar casca pra esconder os sentimentos. Esse tempo passou, não vivemos nas cavernas, o homem não precisa ser um ogro, nem a mulher precisa da proteção do homem, somos humanos, independentes, completos e iguais.

Se você ainda está no armário, ok, eu entendo suas razões para muitas vezes querer esconder essas demonstrações públicas, mas pra quem já tem uma vida fora do armário, não faz sentido continuar se escondendo simplesmente pra preservar as condições sociais impostas. Se eu tenho um namorado, e todo mundo sabe disso, não preciso me sentir receoso de segurar a mão dele enquanto ando pelo shopping, nem no cinema, muito menos naquele jantar romântico, não devemos nos policiar para poupar ninguém, até porque, ninguém tem que ser poupado de gestos inspiradores como é amar.

Segure firme a mão de quem você ama, além de fazer bem pra relação, seu gesto vai motivar várias pessoas a fazerem o mesmo. Ame da forma mais completa que você pode amar, afinal, a vida não acontece por acaso.


Assista ao vídeo que inspirou o texto, ele é uma ação para encorajar os casais homossexuais a não se esconderem mais.

A campanha do Banco da Austrália e Nova Zelândia, patrocinadores do Sydney`s Gay and Lesbian Mardi Gras encoraja os casais LGBT a manterem as mãos dadas e firmes.

“Mesmo em 2017, o simples fato de segurar as mãos é ainda difícil para algumas pessoas”, disse o grupo responsável pela propaganda. “Temos que mudar isso.”

“Quando achar que vai soltar, segure firme!”

Rafael Telles

Criei o GPA numa fase em que me encontrava no armário e foi com ele que consegui abrir as portas para o mundo. Minha intenção com o Gay por Acaso é apenas a de tentar fazer com que essa transição seja mais tranquila para todos que passam por essa fase (quase sempre difícil) de se assumir gay. Vou mostrar que essa é apenas uma das milhões de características que você tem, e a informação isolada de que você é gay não diz nada sobre você!

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