O pai da minha filha é gay e vivemos todos juntos!

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Tempos atrás comecei a efetivamente procurar caminhos de me tornar pai, e foi quando conheci o termo coparentalidade responsável. Na verdade primeiro conheci uma ideia superficial do que seria isso em uma novela da Globo, e através desse gatilho, fui buscar mais informações até encontrar o grupo no facebook em que de fato conheci o termo.

Trata-se de um homem e uma mulher, bem resolvidos, planejados e com o sonho em comum de terem filhos, porém sem as amarras sociais de vida de casal, eles se unem para conceber e criar um filho juntos. Mas infelizmente não é tão simples, a internet aproxima, mas distancias geográficas atrapalham muito nessas escolhas, afinal não quero simplesmente ter um filho perdido no mundo, quero participar de cada detalhe de perto, tão de perto como a essa história linda que eu conheci ontem, vejam!!!


Os professores Juliana Fernandes, 28, e Rafael Fernandes, 28, são pais de Mariah e contam com a ajuda do “tio” Alex Pellenz, 27, na criação da menina.

Poderia ser uma família tradicional – não fossem Juliana e Rafael apenas bons amigos, apesar da coincidência do sobrenome comum, e, Alex, namorado de Rafael. Aqui, ela fala do dia a dia dessa casa moderninha, onde os e alegrias são típicos de um lar cheio de amor.

“Era só uma brincadeira entre amigos no começo. ‘Nunca vou me casar e quero ter um filho com você’, eu dizia para o meu melhor amigo, o Rafa, quando a gente era mais novo. Ele é gay, seria difícil rolar algo entre a gente apesar da sintonia que sempre tivemos. Mas a brincadeira, de tanto ser repetida, começou a virar um projeto real. Até que uma noite, quando ficamos bêbados, falamos: ‘Vamos fazer um filho hoje?’. Transamos. Três semanas depois, veio a confirmação: eu estava grávida do meu melhor amigo gay.”

Transamos uma única vez

“Como tinha sido a única vez em que ficamos juntos, não achei que eu tivesse engravidado. Comprei um teste de farmácia, junto com uma caneta vermelha para dar um susto no Rafa. Eu marcaria aquele pontinho confirmando o ‘sim’ só para assustá-lo. Para minha surpresa, deu positivo.”

Fiquei feliz com a notícia, mas também com medo. Minha família é de Santo Antônio do Pinhal (SP), uma cidade pequena, e fiquei achando que meu pai me daria uma surra. Ele é superconservador e eu tinha só 23 anos na época. Mas do meu amigo, eu sabia que só podia esperar o melhor. Quando contei, o Rafa não conseguia acreditar. Mas rapidinho a ficha caiu e ele também se encheu de alegria. Foi comigo fazer o teste no hospital e vibramos juntos quando o resultado confirmou que seríamos pais. Para minha sorte, minha família não ficou revoltada. Muito pelo contrário: se eu teria um filho, meus pais estariam ao meu lado para o que precisasse.

Curtimos a gravidez juntos

Começamos a fazer os planos e me mudei de São Paulo para Taubaté para viver com o Rafa. O projeto, desde o começo, era criarmos juntos nossa filha e darmos a ela a educação que considerávamos ideal.

Basicamente, queríamos criar um filho ou filha que pudesse ser o que quisesse, sem preconceitos. Curtimos a gravidez inteira juntos. Cada ultrassom, cada novidade, cada expectativa. Lembro quando ouvimos o coraçãozinho do bebê bater pela primeira vez. Saí e fui correndo a um estúdio tatuar seus batimentos! Como qualquer relacionamento, tivemos nossos desentendimentos. Não somos um casal, mas dividíamos tudo e isso trouxe algumas discussões. Mas a gente sempre se entendia e acabava resolvendo. Tudo pelo bem maior: nossa Mariah. Ela chegou no dia 15 de outubro de 2012. Rafa acompanhou toda a cesárea e para mim foi o dia mais incrível, até hoje não tenho palavras para descrever emoção que senti. A felicidade de ter no meu colo aquela pessoinha! Só sei que confirmei ali a certeza que sempre tive de que ser mãe era a coisa que eu mais queria nesse mundo.

Brigamos e voltei a morar com meus pais

Antes da gravidez, eu havia sofrido depressão e usava medicamentos. Tive que suspender durante a gestação e a amamentação por isso ficaram um pouco instável nesses momentos. Ao mesmo tempo, Rafa não sabia ainda como ser pai. Tinha medo que eu tirasse a filha dele, ao mesmo tempo não abria mão das noites de balada. Por isso, acabamos nos desentendendo nos primeiros meses da nossa filha. Nessa época, fui morar com meus pais, pois queria a ajuda deles para criar a menina. Mesmo nessa fase, Rafa se manteve presente, ia vê-la e continuamos compartilhando todas as decisões da nossa filha. O desentendimento era entre nós e não precisava influencia-la.

julliana-mariah-alex-e-rafa-1497965033052_v2_300x225xEnquanto estávamos separados, Rafa conheceu o Alex e eles começaram a namorar. Essa relação ajudou o Rafa a amadurecer. O namoro dos dois colaborou para que nos entendêssemos e, depois de um ano separados, eu voltasse a viver com ele em Taubaté. A partir daí então, tudo andou tranquilamente. Alex passou a fazer parte da nossa família. Para Mariah, eu sou a mãe, Rafa é o pai e Alex o ‘quiquiu’, o namorado do papai que está sempre presente e ajuda a cuidar dela.

“Nossa menina foi educada desde pequena a não ter preconceitos e estar aberta a todo tipo de amor.”

Quando rola preconceito, encaramos juntos

Claro que o mundo a nossa volta não é tão legal assim e os preconceitos aparecem. No começo questionavam se Rafa seria mesmo o pai, algo que passou assim que ela nasceu: Mariah é a cara do pai e não tem como duvidar disso! Mas daí os julgamentos ganharam outras formas. Quando passei em um concurso como auxiliar de professora aqui na cidade, mais ou menos aos dois anos dela, também enfrentei uma saia justa. Diziam por lá que as pessoas não podiam saber que eu tinha uma filha com um gay, pois pegaria mal para a escola. Mas bati de frente e discuti a questão, até que todo mundo entendesse que o que pegava mal era julgar nossa família.   A última foi há pouco tempo. Um dia a Mariah chegou em casa falando que era errado meninos ficarem com meninos, que uma professora havia dito isso. Para quê? Claro que não ficamos quietos. Fomos juntos até a escola e chamamos a diretora para conversar. Como assim ensinar preconceito para as crianças?

Somos uma família!

rafa-juliana-e-mariah-brincando-com-tinta-x1497964995784_v2_300x225Conosco é sempre assim: sem espaço para preconceito e também compartilhando tudo. De manhã Rafa leva Mariah para escola e eu busco à noite. Quando um precisa sair ou viajar, o outro fica com ela. E até o cuida da menina sozinho quando precisamos.  Nossa casa é alegre, trazemos amigos, brincamos com ela e educamos nossa menina exatamente como sonhávamos lá atrás, ainda adolescentes. Quando dizíamos em tom de brincadeira que teríamos um filho: uma menina cheia de amor que pode ser o que quiser na vida. Nossa família, apesar de diferente do formato ‘tradicional’, é exatamente uma família. Aqui tem amor, muito carinho e vontade de criar uma menina incrível. E ainda temos a vantagem de não brigar ou nos desentendermos por bobeira, porque a nossa relação é de parceria e os sentimentos envolvidos não têm ciúmes ou outras complicações. Entre nós, só cabe o amor mesmo!

Estou namorando há poucos meses. Não sei que futuro essa relação terá, mas tenho um acordo com o Rafa. Continuaremos morando juntos por ao menos mais três anos, que é o tempo da primeira infância da Mariah. Sabemos que nos apaixonaremos, casaremos e formaremos nossas próprias famílias. Mas o Rafa sempre será um pai amoroso e presente na vida da nossa filha.

Fonte: estilo.uol.com.br

Rafael Telles

Criei o GPA numa fase em que me encontrava no armário e foi com ele que consegui abrir as portas para o mundo. Minha intenção com o Gay por Acaso é apenas a de tentar fazer com que essa transição seja mais tranquila para todos que passam por essa fase (quase sempre difícil) de se assumir gay. Vou mostrar que essa é apenas uma das milhões de características que você tem, e a informação isolada de que você é gay não diz nada sobre você!

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