Ninguém quer conversar de verdade sobre AIDS com você.

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A verdade é essa, ninguém quer conversar sobre AIDS, e isso vai foder com sua vida.

Hoje acordei tarde, já tinha até acabado de passar Ana Maria, e como levo uns 30 min pra acordar de verdade, fiquei lá sentado assistindo aquele programa de saúde, e foi quando começaram a falar de HIV.

Em menos de 15 segundos conseguiram despertar meu ódio fatal!

Cada vez que um veículo de comunicação, seja ele qual for, fala que homossexuais são grupo de risco, ou, até mesmo tentando não ser tão ofensivos, dizem que homens que tem relação sexual com outros homens são grupos de risco, e não fazem uma explicação do motivo após o uso dessas frases algozes, eles estão influenciando drasticamente na permanência da homofobia na sociedade e dificultando o tratamento dos infectados. E eu vou falar o motivo.

O problema da falta de comunicação sobre AIDS é tão grande, que a maior parte dos indivíduos inseridos em grupos de risco não sabem o real motivo de estarem no grupo, e isso colabora para a disseminação permanente.

O HIV não é um vírus homofóbico que quer destruir os gays, é um vírus que tem suas características próprias, e uma delas é a facilidade de se alocar em células encontradas normalmente nas mucosas.

Aqui começamos trilhar o caminho da explicação. A verdade é que o grupo de risco depende da forma como as pessoas fazem sexo, e não com quem elas fazem. Cada mucosa do corpo tem sua própria particularidade, e um fato é que a Mucosa do Anus é a principal porta de entrada para o vírus HIV por uma série de fatores biológicos, e não comportamentais.  A Mucosa da boca, por exemplo, é protegida pela saliva, a da vagina por sua vez tem seu nível de proteção maior, a da pele interna que protege a glande (a cabeça do teu pau) tem uma proteção maior ainda, e muito dessa proteção também está relacionada ao tamanho da área de contato da pele (mucosa).

  • Estima-se que, em média, o risco de transmissão do HIV durante o sexo anal seja 18 vezes maior que o risco de transmissão durante o sexo vaginal. O risco de se contrair HIV durante um ato de sexo anal sem proteção fica por volta de 1,4%.
  • A variação de papeis sexuais nas relações sexuais dos homens gays aumenta o risco de transmissão. Homens que praticam sexo anal receptivo (ou seja, são os “passivos”) sem proteção têm um risco maior de contrair HIV. Homens que praticam sexo anal insertivo (ou seja, são os “ativos”) sem proteção têm maior probabilidade de transmitir o HIV. Esses dois fatores em conjunto fazem com que o vírus se espalhe entre homens gays de uma maneira que não se observa entre parceiros heterossexuais. Em casais heterossexuais, o HIV é transmitido com maior frequência do parceiro masculino para o parceiro feminino.

A humanidade tem como característica o dom de disseminar o medo como forma de manipulação social, e é isso que fazem quanto a AIDS, até hoje muitas pessoas acham que se um homem tem AIDS isso significa que ele é gay automaticamente, o que é uma grande mentira.

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Uma realidade

A partir do momento que a sociedade em sua maioria concorda que ser gay é errado, o gay encontrará mais barreiras para ter uma vida padrão, que seria encontrar uma pessoa para conviver o resto da vida reduzindo  a quantidade de parceiros sexuais que ele teria com o passar do tempo.

Uma vez que temos pessoas com números tão superiores de parceiros sexuais, a taxa de infectados passa ser uma questão matemática, e não de orientação sexual.

Você sabia?

Uma revisão bibliográfica sobre a epidemia da AIDS feita pelo Dr. Roger V. Short e colaboradores, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Melbourne – Austrália, evidenciou uma quantidade expressiva de artigos mostrando evidências epidemiológicas importantes a favor da circuncisão como fator de proteção contra a infecção pelo HIV em homens. De acordo com esses estudos, os homens circuncisados têm de duas a oito vezes menos chances de contraírem a AIDS (quando são ativos na relação). Ao mesmo tempo, há também uma proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis e uma vez que essas últimas aumentam a chance de transmissão do HIV de duas a cinco vezes, a circuncisão pode ter um efeito protetor ainda maior.

A falta de informação é generalizada

Pouco tempo atrás conheci um cara com quem me envolvi, e acabamos após algumas semanas tendo uma relação sem proteção conscientes do que estávamos fazendo. Não sejamos hipócritas isso acontece com homossexuais e heterossexuais da mesma maneira. Esperei alguns dias e fui fazer exames, acabou que nesse meio tempo a relação não vingou como eu gostaria, e isso me deixou mais preocupado, simplesmente porque perdi a confiança, porém logo  peguei os resultados dos exames e estava tudo ok. Avisei ao indivíduo e disse que seria bom ele fazer também, e a resposta que tive foi, se o seu deu negativo, o meu também vai dar. E é assim, com essa simplicidade toda (que não é real) que a AIDS é encarada e IGNORADA por grande parte da população, inclusive os gays.

O poder do diagnóstico precoce

Pesquisas demonstraram que soropositivos com carga viral indetectável não transmitem o vírus para seus parceiros, por isso adotou-se o modelo de tratamento como prevenção, ou seja, tentar reduzir a carga viral do maior número possível de soropositivos, para que o vírus não se espalhe mais. O Brasil passou a oferecer tratamento para todas as pessoas que vivem com HIV, independentemente de seu estado imunológico (contagem de CD4).

A Unaids tem como meta que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estejam diagnosticadas; destas, que 90% estejam em tratamento; e que, das pessoas em tratamento, 90% apresentem carga viral indetectável). Se isso for alcançado, a epidemia do HIV estará sob controle.

Não aceitem informações clichês institucionalizadas sobre a AIDS, procurem informações e principalmente façam testes com frequência. Descobrir o quanto antes pode ser a diferença entre ter uma vida normal e ainda prevenir pessoas que você pode vir a amar.

Saiba mais em: abiaids.org.br

Rafael Telles

Criei o GPA numa fase em que me encontrava no armário e foi com ele que consegui abrir as portas para o mundo. Minha intenção com o Gay por Acaso é apenas a de tentar fazer com que essa transição seja mais tranquila para todos que passam por essa fase (quase sempre difícil) de se assumir gay. Vou mostrar que essa é apenas uma das milhões de características que você tem, e a informação isolada de que você é gay não diz nada sobre você!

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2 Discussion to this post

  1. pai gay disse:

    o titulo do seu post ja diz tudo! realmente as pessoas ainda acham que aids é de “grupo minoritario de risco” e preferem nao falar desse assunto… é coisa que sempre acontece com o outro, na casa do outro! muito bom seu texto, espero que muita gente leia

    • Rafael Telles disse:

      Olá, pois é ainda tem muito que que aprendermos como humanos né! Empatia é algo fundamental.
      Obrigado pelo comentário.

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