Carta aberta aos Pais e Mães de meninos

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Senhor e Senhora pais de um menino, escrevo-lhes para fazer um pedido: prestem mais atenção na forma como estão educando seus meninos.

Tenham em mente que vocês estão fazendo isso não só pelo bem deles, mas também pelo bem de todas as meninas.

Explico melhor:

O mundo está começando a reagir para igualar socialmente homens e mulheres, mas infelizmente isso ainda não estará resolvido nessa geração que está crescendo, talvez nem na próxima; o motivo é que muitos meninos de hoje tornar-se-ão homens detentores do poder e que vão priorizar outros homens amanhã. Sim, isso é a manutenção da engrenagem do machismo.

Vocês como pai e mãe de um menino podem e devem contribuir para que a mudança aconteça o quanto antes, então eu deixo meu apelo, não recrimine nem proíba as atitudes de um menino com argumentos de que isso não é coisa de menino, ou, isso é só para meninas; esse pensamento ficará na cabeça deles e causará várias consequências, como a desvalorização da mulher e de tudo que é feminino. Ele vai aprender por exemplo a dizer para outros meninos que por ventura venham se comportar como meninas que aquilo é coisa de viado ou coisa de bicha. Sim, isso é a manutenção da homofobia.

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Na medida em que o menino vai crescendo ele vai aprender a se autocensurar sempre que fizer algo que não é adequado para o comportamento de um menino/homem, e caso ele seja heterossexual isso vai o sufocar e transformá-lo num homem rude e fechado, mas caso ele seja homossexual, isso vai o sufocar e transformá-lo num homem inseguro, infeliz e que esconde sua verdade com medo do julgamento das outras pessoas.

Nenhuma das duas opções geram homens socialmente adequados para a vida, e é por isso que eu volto a pedir, prestem mais atenção na educação dos seus meninos. Vocês provavelmente tiveram uma criação machista, tanto homens como mulheres, e por conta disso, mesmo que não seja a intenção de vocês, é muito possível que repliquem esse modelo aos seus filhos. Tenham cuidado!

Percebam, eu não estou dizendo para que motivem nenhum tipo de comportamento, estou pedindo apenas para que não recriminem esses comportamentos, nem atitudes, tão menos brincadeiras.

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É muito importante começar a defender o direito dos meninos desenvolverem mais seu lado emocional e criativo, e isso não tem nada a ver com sua sexualidade, pelo contrário, um homem bem formado, estará tão seguro de suas convicções que dificilmente precisará ter uma vida dupla, que é o que acontece com diversos homens;  eles se casam, constituem famílias mas mantêm escondido relacionamentos com outros homens. Isso não é positivo para ninguém. A propósito, essa pode ser a situação de algumas de vocês caras leitoras.

Ame seus filhos e espere deles apenas o mesmo amor de volta, a forma como eles guiarão suas próprias vidas não podem ser manipuladas por regras sociais tão vazias de embasamento, muito menos doutrinadas por pensamentos religiosos tão ultrapassados.

Cuidem bem dos seus meninos, façam com quem eles sejam homens gentis e respeitosos independentemente da sexualidade que eles venham a ter, assim  vocês garantem uma vida melhor para todas meninas e mulheres também. Essa é a única forma que nossa sociedade tem para evoluir para um patamar mais justo e menos violento.

Obrigado

Rafael Telles

Rafael Telles

Criei o GPA numa fase em que me encontrava no armário e foi com ele que consegui abrir as portas para o mundo. Minha intenção com o Gay por Acaso é apenas a de tentar fazer com que essa transição seja mais tranquila para todos que passam por essa fase (quase sempre difícil) de se assumir gay. Vou mostrar que essa é apenas uma das milhões de características que você tem, e a informação isolada de que você é gay não diz nada sobre você!

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8 Discussion to this post

  1. Eduardo Pacheco disse:

    Prezado Rafael

    Eu ainda, infelizmente, não sou pai de nenhum menino e nenhuma menina.
    Apesar de, por certo lado, concordar parcialmente com teu ponto de vista, sob outro ponto tenho posicionamento radicalmente oposto.
    Assim como os pais são responsáveis em criar hábitos saudáveis para os filhos (p. ex. dormir bem, se alimentar bem, escovar os dentes, etc.), também são responsáveis por sua educação sexual, seja qual for a tendência sexual do filho/filha.
    Independente de ser hetero ou homo, os pais são responsáveis pela sua edução sexual.
    Quanto à “autocensura” que escreveste no teu texto, isto somente surge na idade madura. Um pai não deve delegar esta tarefa para sua criança.
    Isto seria uma irresponsabilidade.
    Os pais precisam preservar as crianças de exposição e abuso sexual até que ela tenha condições de si própria de analisar o que é o melhor para si, independente da opção sexual.
    P.ex., para uma criança que demonstre tendência homossexual (ou heterossexual), os pais não devem permitir que ele frequente sites de pornografia (homo/hetero), até que ela tenha o devido amadurecimento sexual, não é mesmo? Uma criança/adolescente não tem ainda condições de se “autocensurar” sobre isto.
    Ainda mais em uma situação onde corre risco de abuso por outras pessoas…
    Entendo perfeitamente que há casos de crianças/adolescentes que são tolhidas da sua manifestação sexual natural pelos pais, o que é profundamente lamentável.
    Mas isto não significa que os pais não devem estar atentos e vigilantes para a proteção de seu filho/filha.
    A liberdade aos filhos sempre está de mãos dadas com a responsabilidade e amadurecimento deles, do contrário seria terceirizar esta responsabilidade para desconhecidos, que podem não ser bem intencionados.
    E para isto, às vezes, é preciso, sim, que os pais orientem seus filhos, novamente, aqui, independente da opção sexual.
    Espero ter contribuído para este assunto, que considero relevante.
    Beijos no coração.
    Então

    • Rafael Telles disse:

      Olá Eduardo, você está certíssimo em suas colocações, concordo com tudo, no entanto você foi para uma outra abordagem, no texto o foco não é sobre sexualidade e sua descoberta, mas sim sobre a diferenciação da educação de meninos e meninas que interferem totalmente em como essas crianças se comportarão na adolescência e na fase adulta e consequentemente interfere em como a sociedade se encontra hoje.

      Não estamos falando de descoberta sexual e pornografia, estamos falando de brincadeiras e emoções genuinamente infantis.

      Mas agradeço sua colocação contribuindo para uma outra preocupação que os pais precisam ter.

  2. hashiboso disse:

    Concordo em parte com o texto e os respetivos comentários, mas concordo principalmente com o último comentário. Pois a meu ver a escola do primeiro ciclo devia ser completamente reestruturada, de forma a ser um ensino lúdico. Aprender a escrever não é nada fácil para a maioria e, vamos ser sinceros obrigar uma criança a estar sentada à desenhar uma repetição de letras é um tédio! Nos dias de hoje quando se fala tanto em sedentarismo e obesidade. Que devíamos ser mais ativos, bla, bla, bla Nós obriga mos as crianças a estar sentadas numa da idade com imensa energia. Depois temos os meninos “hiperativos eles são meninos/as normais! O ensino que lhes proporcionamos é que está errado. Temos os meninos com défice de atenção, mas quando estão a fazer e a ver coisas que lhes interessam são tão ou mais atentos do que os outros. Em relação à idade ideal para entrar para a escola, voltamos ao mesmo assunto se o ensino fosse lúdico essa questão se calhar não se colocava. Aquilo que tenho observado como mãe e pessoa atenta a estas questões, concluo que o desenvolvimento psicológico de cada indivíduo é completamente variável. Parece me ser variável até à entrada na adolescência, também esta variável. Portanto, para concluir penso que o ministério da educação juntamente com todas as entidades relacionadas com as crianças deveriam estudar um novo plano, complementarmente reestruturado para o ensino do primeiro ciclo.

  3. andre disse:

    Muito bom seu site gostei muito dele. Vou acompanhar mais postagens sobre o assunto e seguir seu blog. Abraços

    • Rafael Telles disse:

      Obrigado André, infelizmente a correria do dia a dia não está deixando eu ser tão frequente por aqui, mas vou me empenhar para atualizar frequentemente.
      Tem muito texto legal aqui, da uma olhadinha nos mais antigos que ainda são muito atuais.
      Grande abraço.

  4. prettywoo disse:

    Ele está certo flor. Vamos lá: filho é uma vida. Nao se poe filho no mundo como 90% da humanidade afundada na mediocridade, “pq estou com vontade. Vcs ja fizeram exames neurologicos e consultas terapeuticas/psiquiatricas para ter nocao do q seu filho vai herdar? Sabia q comportamento e personalidade tem muito mais influencia genetica do q cor de olho e de cabelo? Sabe quantos filhos odeiam os pais hoje em dia (da pra ler em foruns pela internet) pela falta de noçao de criaçao dos mesmos? Vc ja imaginou q nao vai “ser tudo lindo? Pensou q tera q seguir firme e forte nas adversidades? (e elas virão aos montes). Pensem muito mesmo pois fase de bebe é fofa mas dificil, infancia requer *atençao* e nao pais sufocados tentando deixar filhos em qualquer lugar, e adolescencia vc sabe. Depois nao adianta mandar seu filho ir “se virar sozinho e sair de casa, pois fizeram filho porque quiseram, e se ele nao ficou satisfeito com as oportunidades dadas por vocês terá o *direito* de reclamar. Tambem nao adianta depois implicar com amigos ou parceiros/parceiras dele. Pensa em tudo isto para, se tiver um filho, tê-lo de forma consciente.

  5. felipe disse:

    Muito interessante esse site. Parabéns pelo conteúdo
    Um abraço

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