Apenas seja quem você é

O que vou contar aqui é uma pequena indignação do recente dia em que eu não fui fiel ao que eu sou.

Imaginem só, eu no alto dos meus 32 anos, fora do armário desde os 21, me pego tendo lapsos de conduta quanto a minha sexualidade.
Logo eu que não perco a chance de escancarar pro mundo o quanto sou viado, de repente me pego por alguns segundos fingindo ser hétero para um desconhecido qualquer.

Anos atrás, quando criei o GPA, eu considerava essa atitude normal e totalmente aceitável; mas por algum motivo, que eu chamo de maturidade, agir dessa forma nos dias hoje me incomodou muito.

Continuo concordando que para tudo tem seu tempo e em situações onde o indivíduo ainda está no armário, é aceitável que existam essas pequenas mentirinhas sociais, afinal, sua vida pessoal não diz respeito a ninguém. Mas não é esse o caso, a porta do meu armário foi arrancada a muito tempo, meu closet é aberto para quem quiser bisbilhotar, e ainda assim eu me senti constrangido em afirmar: “meu negócio é homem, cara”, numa conversa informal onde o assunto era o ‘placar’ de cada um obviamente se referindo a quantidade de mulheres que haviam ao menos tentado ficar naquela noite.

Confesso que até agora não consigo afirmar o motivo pelo qual eu neguei minha sexualidade…será que foi por vergonha, por insegurança em estar com desconhecidos ou por puro deboísmo para evitar atrito desnecessário no meio das férias?

Isso me fez refletir…por mais bem resolvidos que sejamos, ainda somos vítimas de uma cultura machista e autoritária que usa mulheres como troféus e indicadores de masculinidade, e ensina os homens a viver de acordo com essas regras; ahhh a masculinidade, frágil como um cristal.

Só sei que aquilo ficou martelando na minha cabeça… por que neguei o que sou?!

Raciocina comigo, é uma hipótese totalmente possível que todos ali estivessem mentindo e no final das contas fossemos todos gays fingindo ser o que não eram. Com certeza a noite teria sido muito mais divertida sem as máscaras.

Tira a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser

Que loucura pensar que vivemos para suprir a vontade dos outros e não as nossas, e isso já está tão enraizado que as vezes fazemos de maneira totalmente inconscientemente.

Enfim, esse texto é mais um alerta para todos nós. Não devemos nos esconder, isso só alimenta todo preconceito que existe no mundo. Somos livres pra ser o que quisermos ser, não cairemos nas armadilhas das convenções sociais, a vida é muito breve para isso.

Rafael Telles

Criei o GPA numa fase em que me encontrava no armário e foi com ele que consegui abrir as portas para o mundo. Minha intenção com o Gay por Acaso é apenas a de tentar fazer com que essa transição seja mais tranquila para todos que passam por essa fase (quase sempre difícil) de se assumir gay. Vou mostrar que essa é apenas uma das milhões de características que você tem, e a informação isolada de que você é gay não diz nada sobre você!

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